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sábado, 24 de abril de 2010

CENTRO DE ENSINO ATENAS MARANHENSE - CEAMA
FACULDADE ATENAS MARANHENSE - FAMA
CURSO DE LETRAS - PORTUGUÊS



ERICA VANESSA COSTA LEITE
JUCERLAN DOS ANJOS NUNES
LAYLA MAGALHÃES ARAÚJO MAGALHAES
MARINA CORREA DOS SANTOS
NUBIA CARVALHO COSTA BATISTA
SAFIRA GEOVANNA SOUSA RABÊLO




ANÁLISE DA TRAGÉDIA “HAMLET”, DE WILLIAM SHAKESPEARE












São Luís
2010
1 INTRODUÇÃO


William Shakespeare é considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos. Seus textos literários são verdadeiras obras de arte e permaneceram vivas até os dias de hoje, onde são retratadas freqüentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura.
Nasceu no dia 23 de abril de 1564, na pequena cidade inglesa de Stratford-Avon. Nesta região começa seus estudos e já demonstra grande interesse pela literatura e pela escrita. Com 18 anos de idade casou-se com Anne Hathaway com quem teve três filhos.
No ano de 1591 foi morar na cidade de Londres, em busca de oportunidades na área cultural. Começa escrever sua primeira peça, Comédia dos Erros, no ano de 1590 e termina quatro anos depois. Nesta época escreveu aproximadamente 150 sonetos.
Embora seus sonetos sejam até hoje considerados os mais lindos de todos os tempos, foi na dramaturgia que ganhou destaque. Há inúmeras evidências que conquistou sucesso e fortuna com o teatro. No ano de 1594, entrou para a Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, que possuía um excelente teatro em Londres, o Globe Theatre.
Neste período, o contexto histórico favorecia o desenvolvimento cultural e artístico, pois a Inglaterra vivia os tempos de ouro sob o reinado da rainha Elisabeth I. O teatro deste período, conhecido como teatro elisabetano, foi de grande importância. Escreveu tragédias, dramas históricos e comédias que marcam até os dias de hoje o cenário teatral.
A obra de Shakespeare é constituída basicamente por textos dramáticos. Esses textos fizeram e ainda fazem sucesso, pois tratam de temas próprios dos seres humanos, independente do tempo histórico. Amor, relacionamentos afetivos, sentimentos, questões sociais, temas políticos e outros assuntos, relacionados a condição humana, são constantes nas obras deste escritor.
A arte dramática de Shakespeare pode ser dividida em três fases. Numa primeira, que vai de 1590 a 1602, o dramaturgo escreveu comédias alegres e ligeiras, dramas históricos e tragédias no estilo renascentista. A segunda fase, iniciada em 1602 e que vai até aproximadamente 1610, caracteriza-se por tragédias grandiosas e comédias amargas; enquanto na terceira fase, que vai até o fim de sua vida, foram produzidas peças feéricas com finais conciliatórios. Embora alguns críticos queiram atribuir essas diferenças a acontecimentos de sua época, não há evidências que possam comprovar essa teoria. O mais provável é que tenha ocorrido uma simples mudança de estilo.
No ano de 1610, William Shakespeare retornou para Stratford, sua cidade natal, local onde escreveu sua última peça, A Tempestade, terminada somente em 1613. Em 23 de abril de 1616 faleceu o maior dramaturgo de todos os tempos, de causa ainda não identificada pelos historiadores.

Entre as principais obras de Shakespeare, pode-se citar:
· Comédias: O Mercador de Veneza, Sonho de uma noite de verão, A Comédia dos Erros, Os dois fidalgos de Verona, Muito barulho por coisa nenhuma, Noite de reis, Medida por medida, Conto do Inverno, Cimbelino, Megera Domada e A Tempestade.
· Tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Julio César, Macbeth, Antônio e Cleópatra, Coriolano, Timon de Atenas, O Rei Lear, Otelo e Hamlet.
· Dramas Históricos: Henrique IV, Ricardo III, Henrique V, Henrique VIII.
O Maneirismo foi um estilo e um movimento artístico que se desenvolveu na Europa, aproximadamente entre 1515 e 1600 como uma revisão de valores clássicos e naturalistas prestigiados pelo humanismo renascentista e cristalizados na Alta Renascença.
O termo Maneirismo foi utilizado por Giorgio Vasari para se referir a “maneira” de cada artista trabalhar. Uma evidente tendência para a estelização exagerada a um capricho nos detalhes começaram a ser sua marca extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos.
Historicamente o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco, enquanto outros preferem vê-lo como estilo dito. O certo porém, é que o movimento é uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência.Os artistas se veêm obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar o desenvolvimento de todas as habilidades e técnicas adquiridas diante do renascimento.
“Segundo Arnold Hauser define o Maneirismo”: É impossível compreender o maneirismo se não se compreender o fato de que a sua imitação dos modelos clássicos é uma fuga dos caos ameaçador e que esforço subjetivo de suas formas é a expressão de medo de que a forma venham a cair na luta com a vida, e de que a arte venha a se desvanecer numa beleza sem conteúdo”.
Entre as influências do Maneirismo pode-se considerar que pintores, arquitetos e escultores são impelidos de deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos elementos do renascimento, mas agora um espírito totalmente diferente ,uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhos, que são sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista.Mais adiante essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias.
Este movimento obteve também grande sucesso como expressão maneirista também na música e literatura.
Entre as características Maneirista, podemos citar:

· Contraste, paradoxo, oximoro e antíteses;
· Argumentos concretos complexos;
· Raciocínio de difícil entendimento;
· Poemas, geralmente sonetos de cunho lírico;
· Temática voltada para transitoriedade do tempo.

Nesse sentido, abordaremos nesse trabalho uma análise referente à Obra “Hamlet” de William Shakespeare, apartir da ênfase estabelecida pelas características peculiares do Maneirismo.
O trabalho se desenvolveu a partir de pesquisa bibliográfica. Sua relevância partiu da necessidade de fazer a leitura e compreender a obra acima citada e sua respectiva análise.
Para isso, buscou estruturar esse trabalho em alguns momentos. No primeiro momento encontramos a Introdução, com a apresentação do objeto de estudo, o objetivo do trabalho e a metodologia utilizada e como está estruturado o trabalho.
O trabalho apresenta a biografia de William Shakespeare, uma abordagem sobre o período maneirista e as características do Maneirismo. Apresenta-se o resumo da Obra “Hamlet” e sua respectiva análise a partir das características maneiristas. No último momento apresentamos as considerações finais.


2 RESUMO DA OBRA “HAMLET”
Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça que ocorreu na Dinarmarca ,narra a história de como o príncipe Hamlet, tenta se vingar da morte de seu pai Hamlet,o rei, executando o seu próprio tio(Cláudio) que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet.
O protagonista de Hamlet é o príncipe Hamlet de Dinamarca, filho do então recente morto Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio que era o irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei o Hamlet,Cláudio se cassou com a então viúva Gertrudes, que era a mãe do príncipe.
A peça se inicia em uma noite no Castelo Ralacerte,de Elsinore.
Bernardo e Marcelo oficiais do Castelo Ralacerte da Dinamarca foram render o soldado Francisco, para poderem encontrar o fantasma do Pai de Hamlet. Para guarda também veio Horácio, amigo de Hamlet filho, para poder compravar o que os oficiais lhe disseram.
Por volta de meia-noite o fantasma aparece e todos comprovam a semelhança do fantasma com o Hamlet Pai. Então eles decidem contar para Hamlet filho sobre o fantasma do pai.
No outro dia pela manhã, partiram ao encontro de Hamlet, o amigo Horácio e os oficiais para lhe contar o acontecido.
Ao encontrarem Hamlet, contaram tudo o que havia ocorrido na noite passada.Hamlet, então fez algumas perguntas a eles e então decidiram montar guarda com eles naquela noite.
À noite, na esplanada, Hamlet, Horácio e Marcelo, por volta das onze horas ficam a espera do aparecimento do fantasma.Horácio chama Hamlet para mostrar o fantasma.Hamlet pede ajuda dos céus para que ele pudesse falar com o fantasma do pai.
Horácio diz a Hamlet que o fantasma faz sinal para que o siga.Hamlet segue o pai.Hamlet pai pede para Hamlet filho se vingar do seu tio, pois ele tinha cometido assassinato e adultério.Hamlet promete ao pai que vai se vingar.
Depois de se despedir do pai, Hamlet pede aos seus amigos que não conte nada do que ocorrera a ninguém, fazendo-os jurarem sobre a espada.
Ofélia entra no quarto de seu pai Polônio, em desespero, gritando, ele pergunta o que aconteceu, ela diz a seu pai que Hamlet entrou no seu fora de si.
Polônio diz ao rei e a rainha que Hamlet está louco.Hamlet em companhia de seus amigos recebe os atores.Hamlet começa a trabalhar a peça em que encenará a morte do pai para o tio.
O Rei e a Rainha Gertrudes, planejam um encontro entre Hamlet e Ofélia para saber se o que sentes é amor, ou outra coisa que o faz sofrer assim.
Hamlet se despede de Ofélia, dizendo que já não a ama. O Rei Daniel acha que ele está doente mais não chega a loucura, ele pede a rainha que converse com o filho depois do espetáculo.
Hamlet pede para que seu amigo Horácio observe o Rei durante a apresentação da peça para que ambos possam julgar seu comportamento.
A peça se inicia e começa a mostrar a cena em que o rei é morto.O rei pergunta a Hamlet o nome da peça ele responde que é a Ratoeira. O rei se altera e pede o fim da representação.
Hamlet e Horácio percebem que o rei se reconhece na peça e por isso a sua alteração.A rainha pede que Hamlet vá ao seu encontro.Hamlet o faz.
O rei manda Hamlet o quanto antes para a Inglaterra.A rainha e Hamlet discutem e Polônio escuta tudo escondido.
O fantasma aparece ao lado de Hamlet no quarto da rainha, e começa a dialogar com ele e a rainha pergunta com quem falas e ele responde que é com o seu pai,tal como se vestia antes da morte.E o fantasma vai embora.
A rainha diz a Hamlet que ela não vai dizer nada em relação a que conversaram.
Hamlet foi enterrar o corpo de Polônio, a quem tirou a vida.Hamlet esconde o corpo de Polônio e todos no castelo estavam a procura.
A rainha conta a Ofélia o que aconteceu com seu pai.Ofélia se despede.
Ofélia se se afoga ao saber da morte do pai.Hamlet, se envenena e tem o mesmo fim de seu pai.


2.1 Análise da Obra Hamlet

A obra ocorre em virtude da vingança do Príncipe Hamlet, cujo pai, o finado Rei Hamlet morre de repente, enquanto o Príncipe estava longe de casa. Hamlet estava em Wittenberg, fora da Dinamarca, enquanto o pai fora supostamente picado por uma cobra peçonhenta.
O Rei Hamlet é sucedido no trono por seu irmão Cláudio, pois este casa-se com Gertrudes, a viúva mãe de Hamlet. O fantasma do rei aparece a Hamlet reclamando por vingança.
Através da leitura da tragédia Hamlet, de William Shakespeare percebemos que foi retratada na referida tragédia alguns preceitos entre eles a corrupção moral do meio real e ainda a contradição de diversos sentimentos que envolveram a tragédia por meio da vingança que move o personagem principal que é Hamlet.
Dessa forma na obra observamos as principais características maneiristas, as quais se refletem nas atitudes do jovem príncipe Hamlet, o qual se mostra inconformado após a morte de seu pai (O Rei Hamlet) e ainda com o casamento de sua mãe com o seu tio.
Percebemos ainda a utilização de alguns aspectos no intuito de serem demonstradas suas ideias, como a ironia e o jogo de palavras.
Vale ressaltar que as características peculiares do Maneirismo e dos heróis desse estilo são representadas por Hamlet na medida que este constitui um personagem independente, reflexivo e que de uma certa forma sabe enfrentar os conflitos internos por meio do seu “eu”, das suas crenças e ainda pelas conseqüências e causas de suas atitudes.
Ainda podemos observar na Obra Hamlet a presença da degeneração humana, atitude esta que pode ocasionar a ambição e a traição. Nesse sentido percebemos por meio da leitura que a história de Hamlet trata-se de aspectos psicológicos, na medida em que há uma centralização nas emoções do jovem príncipe Hamlet.
Durante toda a obra, Hamlet não pensa em mais nada, a não ser em vingar-se e destruir-se seu inimigo, em virtude de viver preso na solidão e na dúvida. As respostas que ele desejava obter encontrava-as na medida que fazia uma espécie de sondagem à alma do homem.
Particularmente, em todas as produções artísticas do Renascimento é evidente a existência de diversas crenças religiosas. Dessa maneira William Shakespeare não se esquiva disso e é perceptível em sua obra a crença em Deus e no castigo divino e ainda diversas superstições relacionadas à religião.
Em Hamlet podemos ressaltar um excelente exemplo da crença católica no momento em que o Rei Cláudio tenta rezar de maneira inútil, com o propósito de está purificando a sua alma com pecados diante de Deus.
Em relação às superstições percebemos que na obra Hamlet isso se evidencia quando Hamlet encontrou uma excelente oportunidade para matar o rei Cláudio, mas acabou desistindo em virtude do rei está rezando. Ele acreditava se matasse o rei naquele momento de oração o mesmo iria para o céu.
No que se refere a alienação, é notável que Hamlet encontra-se alienado,ao passo que a realidade dos fatos é desconhecida para o mesmo.É perceptível que Hamlet foi persuadido pelo fantasma do próprio pai a cometer o ato da vingança. A alienação de Hamlet é bastante influenciadora no desvelamento da catarse.
Vale ressaltar a presença na obra da comunicação persuasiva, sendo que para que a oratória desempenhe seu papel com evidência e eficiência, se faz necessário as fraquezas humanas.
Observamos ainda a presença do fator arrependimento,quando mesmo cometendo terríveis atos cruéis,mas há no fundo dor na consciência. Isso é perceptível no momento em que Hamlet já estava decidido a realizar a vingança da morte de seu pai,mas se sentiu angustiado com a dúvida:” Ser ou não ser,eis a questão”.
Quanto a presença do sobrenatural observamos que Hamlet acaba por pressentir, por sentir, por vê e tinha visões do que ainda estava por vir.Isso é evidenciado quando ele começa a olhar o especto de seu pai.
Em Hamlet a ação vai evoluindo de uma forma que diversos questionamentos e problemas são evidenciados, quando chegam a ser insolúveis e de uma certa forma não possuem respostas.
Nesse sentido há uma dualidade entre o homem de ação e o intelectual, sendo que Hamlet nunca age no momento oportuno ou acaba em adiar algo que deve ser feito, como no caso em matar Cláudio ou se precipita e dar o fim em Polônio.
Há uma diferenciação entre Hamlet e os demais heróis trágicos.Hamlet apresentava uma consciência crítica em relação ao mundo e ao ambiente em que vivia, sendo que não permitia que seu destino fosse determinado somente pelas interferências divinas,mas pelo controle do seu caráter e das suas ações.
Cabe ainda destacar uma relação entre o comportamento de Hamlet com o Complexo de Édipo quando percebe-se um desejo incestuoso pelo pai,sendo que Hamlet amava mais a figura do seu pai do que a si mesmo.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

William Shakespeare foi considerado um dos melhores escritores de sua época, o que fez com que acabasse por ser tão lido e explorado por todos, pois após seu falecimento em 1616, o mesmo passou a ser um grande mito literário.
Seus textos dramáticos obtiveram grande sucesso na medida em que abordavam temas peculiares como o amor, sentimentos, questões sociais, relacionamentos afetivos, entre outros.
Shakespeare, segundo alguns autores não seria incluído no estilo literário renascentista, mas sim no maneirismo o qual se caracterizava por tentar a conciliação das heranças medieval e renascentistas, fundir o cômico e o trágico, colocar uma natureza dupla do herói pela presença do grotesco e o convívio dos elementos realistas e fantásticos.
O estilo maneirista tinha como característica a junção da mentalidade medieval com o realismo renascentista. No maneirismo predominava a sensação de ambigüidade de todas as coisas, a ironia e o jogo de palavras.
Percebemos que tanto a oratória, quanto o discurso e a persuasão se fazem presente em Hamlet . Ainda há uma certa confusão em relação ao autoritarismo,à luta entre o bem e mal e a indecisão que constituem a dúvida e o engano quanto à aparência.
Enfim,Hamlet constitui-se a tragédia da dúvida, do desespero do solitário príncipe, da violência do mundo,sendo atualmente a obra de Shakespeare mais representada e estudada até hoje.


REFERÊNCIAS
.
SHAKESPEARE,William.Hamlet.São Paulo: Martin Claret, 2000.

SHAKESPEARE, William. Shakespeare de A a Z:livro de citações. Porto Alegre: L&PM,1999.

http://www.paralerepensar.com.br/shakespeare.htm-Acesso em 21 de Abril de 2010.




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